sábado, 25 de maio de 2019
Adiamentos desinteligentes
Estamos, todos, sempre à antessala do adeus,
Atravessando a incógnita de uma certeza,
No corredor que conduz ao indesejado,
A passos não programados da despedida.
E nos descuidamos.
E seguimos protelando,
Adiando abraços, eu te amos...
E felicidades possíveis, acessíveis,
Como se amanhã aguardasse, seguro.
Como se fim fosse fantasia,
Fato somente para os demais, distantes.
Temos, todos, a sentença escrita.
Amanhecemos de posse dos papéis,
Permitindo evaporar as tintas,
Desdenhando os pincéis que possuímos
Para desenhar e colorir presente.
Estamos, todos, às vésperas de estar ausentes,
Deixando essenciais para depois.
Pagando para ver...
Ou jamais saber.